quarta-feira, 10 de junho de 2015

Dias Sóbrios


O Sol decidiu esconder-se por fim, as flores têm uma cor muito viva que contrasta com o céu apagado. Há a certeza de um dia sereno, sem emoções que palpitem gravemente o coração. A brisa fresca não dá mote a alegrias extremas, sente-se a harmonia das horas sóbrias, ouvem-se apenas os automóveis a desfilarem na estrada longe. Parece um rejubilo falso, felicidade sem gosto doce, tudo está bem, porque não está mal e a vida encaminha-se nos conformes.  
Na cidade tudo tem ar de amontoado, abandalhado por quem não tem tempo para o que é necessário, assim está a minha mente, numa agitação febril em que vontades se contrapõem. Tenho desejo de principiar uma nova vida e no entanto prossigo igual ao que é do costume. Há em todas as coisas o perigo da mudança, a falsa segurança das alterações, os riscos medonhos de uma crise. E a vida sempre se encarrega de trazer espontaneamente dias mais comedidos, onde se está bem, porque não se está mal.   
A meio do dia ainda tenho o entorpecimento do corpo de quem não dormiu bem as noites passadas, o tempo passa muito rápido para quem tem muito que fazer e nenhuma motivação. Não sei dizer de onde me vem esta frustração, este destino de desânimo, porque apareceu em mim o sentimento de apatia que sempre se apresenta no querer fazer pouco quando se precisa fazer muito. 
Nestes dias de tristeza subtil as palavras manifestam-se no meu íntimo e não tenho força para as fazer surgir no seu pleno esplendor, são como flores prestes a florir, mas que não recebem água e Sol suficientes. Falta-me saber, mestria, leveza, sabedoria, e tudo o mais que se mostra essencial para o nascimento da obra pelo qual a alma do leitor se apega e tem carinho. Tudo me está em falta. E todavia não sei expressar-me de outro modo. Vivo sem coração a generalidade dos dias e quando me sento com as palavras os sentimentos desabam-me e não sou mais insensível ao que me rodeia. 
Agradava-me construir um lar nos meus escritos, de modo a que um dia não existisse mais e passa-se a ser as minhas palavras tão somente, em perfeita harmonia com o que sou e com o que faço. Mas a força e a persistência esvaiem-se, os impulsos são poucos e só se mantêm momentaneamente.  Da mesma forma me falha a constância da graça, o toque de airosidade, a luminosidade da mocidade. Assim estão os dias caminhando para a morte, sem beleza, sem disposição para sentimentos suaves, carregando fardos de tempos difíceis vividos ou imaginados. 
As afirmações são ásperas e desagradáveis, mas sabem misteriosamente bem, como o vento modesto que me eriça os pêlos dos braços. O dia perpetua-se sombrio em pleno Verão, dia velho no meio da estação da juventude, mas é profundamente legitimo, porque advém da Natureza que está sempre certa. Não é necessário que em todos os momentos o Sol surja resplandecente sobre a Terra, nem que a luz paire sobre as palavras. Porque tudo se quer no conforme, que é variável e está sempre bem, desde que não esteja mal.

quarta-feira, 20 de maio de 2015

Amizade


A reinvenção da alegria                                    

Neste tempo, em que não vos tenho dado a atenção devida, sentindo-me para todos os que me dão o seu tempo e a sua amizade em dívida lembrei-me de dois provérbios que definem a amizade de ângulos diferentes e complementares:                

Séneca diz num provérbio que: “Ter um amigo é ter alguém por quem morrer”
Há porém um provérbio inglês que diz: “Viver sem amigos é morrer sem testemunhas”                                       
A força que emana do primeiro provérbio (“Ter um amigo é ter alguém por quem morrer” ) é de uma amizade desprendida e inusual, mas diz-nos quanto este sentimento esta presente no espírito da humanidade e nas relações entre as pessoas, desde que o homem se tornou capaz de elaborar em palavras os seus sentimentos. A contradição principal é que sendo este um dos sentimentos mais nobres e mais necessários à nossa vida pessoal, quando confrontados com a pergunta: O que é a amizade? Sentimos alguma dificuldade em a definir, não porque nos faltem explicações exactas e verdadeiras, mas pela sua vastidão e pelas nossas próprias atitudes perante a amizade, ficamos incapazes de exprimirmos verbalmente em poucas palavras a relação e o sentimento implícito nesta palavra. A amizade tem a singularidade de ter uma ética não escrita, sem tutelas nem pactos sociais, e utiliza uma desconcertante simplicidade de meios, o que faz com que a característica mais importante da amizade, se defina pela sua presença.
Mas a presença pode ter diversas graduações, e quando a amizade se vai construindo em novos meios, como a NET que utilizamos neste momento, essas graduações terão ainda muitos cambiantes, uma partilha global de algum pessoal, ou não sendo pessoal, nos toca e emociona, uma troca de mensagens mais confidente e particular, um dos muitos pequenos gestos de que estamos atentos e que as mensagens que nos chegam não nos deixam indiferentes, a probabilidade de um encontro dos muitos que este meio proporciona, a possibilidade de uma ou de incontáveis atenções, não tendo muito significado a quantidade mas a verdade daquilo que damos e recebemos

Porém no provérbio inglês que diz: “Viver sem amigos é morrer sem testemunhas” , remete-nos para o tempo presente em que não querendo ser demasiado mórbido, mas ao ler um destes dias nos jornais, um título que dizia:“ HÁ cada vez mais corpos não reclamados”
Isto foi sentido por mim como um soco, e senti vergonha por fazer parte de uma sociedade que segrega e despreza ignobilmente parte dos seus. Que levou estas pessoas a cortarem laços e a perderem assim os seus amigos, ficando sem testemunhas do seu final de vida? Que levou a sociedade a ignora-los?
Talvez por isso seja importante esta rede de amigos em que participamos, e quando algum por motivos diversos nos deixa, não nos deixa sem testemunhas, sentimos que perdemos um pouco da nossa riqueza colectiva, e partilhamos muitas vezes testemunhos desse sentimento.
Os amigos que vou fazendo neste meio e com os quais vou partilhando, um pouco de mim e um pouco do que sou, e de quem também recebo partilhas que me vão enriquecendo, fazem-me sentir, talvez com alguma benevolência, que a minha ausência, mais frequente do eu desejaria, não lhes é indiferente.
O importante para mim é que a partir de dada altura, esta relação se tornou uma história que me acompanha e por onde uma parte da minha vida vai passando.
Tendo tão poucas barreiras, permitindo um tão alargado leque de alternativas, este meio que nos aproximou e vai permitindo a construção de verdadeiras amizades, pode contribuir para acabar com este cinzentísmo em que estamos mergulhados e pela AMIZADE REINVENTAR A ALEGRIA.

quarta-feira, 15 de abril de 2015

Fazer a nossa parte


Dois homens iam pela rua conversando um crente e outro nem por isso. E enquanto caminhavam o crente ia falando da vida da fé na existência de Deus. Dai a pouco, o céptico incrédulo não aguentou e replicou:
- Deixa-te disso, pois Deus não existe!
- Porque dizes isso?
- Ora, se Deus existisse não haveria tanta barbaridade e tanto mal no mundo, muitas vezes em nome de Deus. Além de tanta gente a passar fome. Basta olhares em volta e reparares em quanta tristeza há é só estar atento!
- Bem, talvez seja essa a tua maneira de pensar, e tens a liberdade de o fazer, Não é assim?
- Claro e tenho razão, mas esta a chegar a hora de voltar ao trabalho, ainda não estou como tu, já aposentado.
Pararam em frente ao estabelecimento onde o amigo trabalhava, um cabeleireiro de homens, despediram-se um ficou e outro continuou o seu caminho.
Foi caminhado, quando avistou uma pessoa com aspecto deplorável, talvez um sem-abrigo, imundo, com longos feios e sujos cabelos, barba desgrenhada, suja, abaixo do pescoço. Pensou, um pouco deu meia volta e dirigiu-se ao estabelecimento onde o amigo trabalhava.
- Vim aqui por causa de uma pequena coisa.
E acrescentou.
- Não acredito em cabeleireiros de homens, ou como de dizia antigamente, barbeiros!
- Que estas para aí a dizer???
- Sim, se existissem cabeleireiros de homem, barbeiros, não haveria pessoas de cabelos maltratados e barbas desgrenhadas e compridas!
- Ora, essas pessoas estão assim porque querem. Se desejassem mudar, viriam até mim! Em muitos casos eu até lhes faria o trabalho de graça
- Agora, tu entendeste quantas vezes estamos assim porque queremos? Não vamos até ELE!

terça-feira, 7 de abril de 2015

A Passagem


Era Novembro e chovia, chovia intensamente.
Como de costume nas últimas semanas o Domingo era dedicado a visitar os pais, no apartamento onde vivia localizado numa urbanização incaracterística nos limites da cidade, mais pensado em arrumar pessoas do que em acolher famílias, não se via ninguém na rua.
No carro sentou-se cansada ao lado do marido, um cansaço mais mental que físico que a impregnava intensamente um sufoco de que não se conseguia libertar.
Atrás, o filho mais novo bem preso à cadeira visivelmente incomodado pela liberdade do irmão, protestava sem parar.
Encostou-se no banco e fechou os olhos, o marido virou cabeça e perguntou:
- Estas cansada?
Acenou com a cabeça que não, enquanto pelo espírito passaram as últimas semanas, uma em especial
Naquele dia a mãe começara a falar, tão estranhamente que não esperava nem respostas nem reacções embora se lhe dirigisse, pois os olhos estavam fixos nela, sentia que não a chegava a ouvir nas suas respostas.
Num recomeço a mãe recostou-se no espaldar da sua cadeira, enquanto tinha falado as costas um pouco separadas do encosto, como quando alguém intervém publicamente numa tertúlia, ou numa orquestra um instrumentista antes de chegar a sua vez se ergue levemente na sua cadeira, atento tenso para não se perder da harmonia, descansando as costas na sua nova posição para a surpreender com o volume o tom e a teia de preocupações insuspeitas até então. Recomeçou:
- Não fui capaz de vos educar, nem a ti nem aos teus irmãos, não fiz a passagem do que aprendi da minha mãe, nada vale tudo o que sabes se não entenderes a linguagem da natureza, a linguagem da terra.
As suas mãos desenhavam no espaço o gesto de quem rasgava a terra, um estranho bailado vindo de tempos ancestrais, as palavras saiam como se fossem definitivas as últimas as essenciais, havia urgência na sua voz.
Nesse dia não tinha compreendido, mas o pai já a alertara: 
-A tua mãe anda um pouco esquecida a médica de família marcou uma consulta para um neurologista.
O médico chamou-a: 
-É a filha mais velha?
 - Sim; respondeu
Continuava de olhos fechados, sentiu o carro parar e ouviu o marido dizer: -
- Chegamos.
Era Novembro e chovia, chovia abundantemente.
Lá fora a mãe com um regador, junto ao muro da casa ia regando as pedras, com a aplicação de sempre.
Compreendeu então a urgência das palavras daquele dia, a mãe antes de fazer a passagem para um mundo só dela, sentiu necessidade de lhe passar o testemunho acumulado nos tempos.
E chorou.

quinta-feira, 26 de março de 2015

Sempre o dia nasce após a noite


As manhãs nascem leves, frescas e com tons por definir, é preciso agasalho para caminhar na rua nas primeiras horas do dia. Nestes momentos de meio termo entre a noite escura e o dia pleno, não há sons do quotidiano, há o silêncio do vento a bater nas folhas das árvores altas e magras, a saudade crescente do calor do lar e a esperança de um decorrer de dia sereno, sem preocupações que nos agitem a alma ou nos faça chorar o coração. 
Os dias passam lentos, embora pensemos que correm velozes, porque as horas são vazias e o seu tempo preenchido. O relógio marca a passagem de semente, a planta débil, a planta vigorosa que dá flor, e mais tarde fruto, e quem o come tem os cabelos brancos a crescerem-lhe na cabeça. Que má sorte a que nos faz nascer para morrer e não morrer para nascer! Alguém vela por nós, porém, para que descansemos sem temores e despertemos para a luz e não para as trevas. Ouvi também promessas de que o Seu Paraíso não é pequeno e que as luzes não permitem sombras e deixam ver claramente, mesmo quando se fecham os olhos, que só vêem o aparente, pois a alma torna-se a visão dos cegos e a alegria dos miseráveis. E enquanto cá estamos, turistas da própria vida, somos surdos e insensíveis a tudo quanto não nos afecta directamente. Mas, Senhor, queremos ver-Te com definição no sorriso desdentado das crianças, e no postiço dos idosos, ouvir-Te no cantar simples dos pássaros, cheirar-Te nos campos repletos de flores que crescem espontaneamente, sentir-Te no pêlo macio dos cães, saber-Te o gosto no pão que partilhamos na Eucaristia, inteirarmo-nos de Ti, da tua branda doçura. Aproxima-Te, abre os Teus braços e deixa-nos cientes disso, para que mesmo caindo possamos chegar até ao Teu abraço. Porque sabemos de Ti, no entanto não Te vemos na nossa busca incessante e a nossa vigília é em vão. Retira, Deus nosso, as sombras do nosso coração, as névoas dos nossos olhos e os freios das nossas mãos, para que estejas presente em tudo e para que tudo sejas Tu. 
Pois, quando a noite cai gentilmente sobre os campos e as casas da povoação, mudando a cor do céu gradualmente, o frio que passa pelas frestas das portas arrefece-nos e dá-nos vontade máxima de nos deixarmos cair sobre o leito quente e reconfortante, todavia a realidade não desaparece. A noite é o tempo de preparação para o que virá no amanhã e esse porvir com as suas esperanças é Ele, que nos oferece o renascer, em cada dia após a noite.

terça-feira, 10 de março de 2015

Inferioridade?


Uma jovem estudante, conhecida por todos pela sua inteligência generosidade e honestidade, procurou e julgou ter encontrado, um adulto que a compreendesse e capaz de a aconselhar. Entretanto, assim que iniciava alguma conversa, sentia-se inferior, e concluía que, apesar de toda a sua vida se ter esforçado por adquirir o sentido e a razão das coisas, não tinha sequer chegado perto, julgava ela, ao estado de sabedoria do homem que tinha à sua frente.
- Por que razão me estou a sentir tão inferior a ti? Já escrevi muitas vezes textos que considerei belos, consigo partilhar os meus sentimentos e compreender os dos outros, apoio quem precisa de mim, sei que não tenho nada do que me envergonhar. Entretanto, ao ver-te falar, sinto que a minha vida, esta vazia de alguma coisa. Como se lhe faltasse alguma coisa de importante.   
Ele olhou para as palavras que ela exprimiu e disse:                                                                     
- Espera. Assim que eu tiver atendido todos os que me procurarem hoje, eu dou-te a resposta.
Durante o resto do dia a jovem ficou sentada a varanda, reparava na sombra que fazia na sua varanda e na luz da varanda em frente, olhava para as pessoas que entraram e saíam e passavam como se à procura de alguma coisa. Imaginava como o adulto atendia a todos com a mesma paciência e com a mesma disponibilidade que tinha para com ela. Mas o seu estado de ânimo ficava cada vez pior, pois tinha nascido para agir, não para esperar. De noite, quando ele já estava disponível ela insistiu:
- Agora podes-me ensinar?
O adulto pediu que voltasse à varanda e olha-se para o céu. A lua cheia brilhava no céu, e todo o ambiente inspirava uma profunda tranquilidade.
- Vistes como a esta lua, como ela é linda? Ela vai cruzar todo o firmamento, e amanhã o sol tornará de novo a brilhar. Só que a luz do sol é muito mais forte, e consegue mostrar os detalhes da paisagem que temos à nossa frente: árvores, montanhas, nuvens. Tenho contemplado os dois durante anos, e nunca escutei a lua a dizer: por que não tenho o mesmo brilho do sol? Será que sou inferior a ele?

- Que achas tu, algum é inferior ao outro? - Perguntou o adulto á jovem
- Claro que não – respondeu a jovem - Lua e sol são coisas diferentes, e cada um tem sua própria beleza. Não podemos comparar os dois.
- Então, tu sabes a resposta. Somos duas pessoas diferentes, cada qual a fazer à sua maneira  aquilo que o coração e a inteligência lhe dita, e a fazer o possível para tornar este mundo melhor; o resto são apenas aparências.
Apesar da distância, o encontro tinha sido bom para ambos, saíram ambos da NET, desligaram o respectivo PC , e ficaram a pensar o próximo encontro.  

     Hermínio

sábado, 21 de fevereiro de 2015

Faz sombra na minha varanda


É o começo de uma tarde de Verão, a avó saiu, a cadela mais nova está escondida na despensa, a casa está silenciosa e as flores continuam belas lá fora. Corre uma leve brisa que faz frio e nos acalma dos dias calorosos da época de estio e já faz sombra na varanda enquanto o Sol bate nas casas da frente. Há solidão e quietude neste lar e agitação, cor e vivacidade na rua, eu estou sentada perto da janela onde se cruzam estes dois mundos e me atingem na mesma intensidade, também em mim há silêncio e chilrear de pássaros, escuridão e luz, alegria e tristeza, tudo do mesmo modo. Vive em mim um vento que sopra de mansinho e faz balançar levemente o meu coração, e existem mares e campos, melodias e aromas, em tudo semelhantes ao que está de fora. É tão custoso viver com tanto vento e mar dentro, e é tão árduo fazer com que passem do âmago para o exterior, são palavras e gestos que se acumulam e fazem com que menos uma ave cante, que o mar se torne tempestuoso, e que o céu se feche. As palavras ouvem-se roucas, agarradas à raiz, ou não se ouvem de todo, o papel mantém-se em branco e nasce em mim uma recriminação de uma dever que se mantém por cumprir, como a oração da manhã de hoje que ficou por dizer. A folha fica estendida à minha frente e eu olho-a como se fossemos estranhos e eu não tivesse sabido nunca o que lhe escrever, mas num mundo onde tenho duas mãos infrutíferas, registar por escrito é a minha única obrigação e o meu único dom e se nasci foi só para dar corpo às dádivas das quais não me poderei separar em tempo algum. Por momentos, enquanto a mão está pousada sobre o papel somos um só e é como se a alma, o quotidiano e o abstracto se pudessem tornar concretos: visíveis, audíveis e tocáveis. Ter o compromisso cumprido faz com que os elementos se restabeleçam dentro de mim, quando a obra está terminada é que eu vivo, tudo o que faço a mais é nada. Quero abarcar tudo o que sou e tudo o que há e ao passo que o tempo foge, a memória e o que está escrito fica para sempre. Que não deixe jamais de existir estas tardes de Verão, em que a casa está vazia e se fica suspenso entre dois mundos onde existe regozijo e sossego e que o Sol não deixe nunca de iluminar, mesmo que apenas nas casas da frente enquanto faz sombra na minha varanda.

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