segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

Carta para uma amiga escritora


Cara amiga  

Não deves ficar sem um cumprimento meu quando nos aproximamos do Natal e no meio da festa a solidão muitas vezes pesa mais que nunca. Mas se perceberes que ela é paradoxalmente um bem, talvez te alegres e perguntes a ti mesma: Seria uma solidão sem grandeza, solidão? Existe apenas uma solidão, e ela é grande, nada fácil de suportar, mas criativa. Chegam horas em que quase todos gostaríamos de trocá-la por uma união qualquer, por mais banal e sem valor que seja, trocá-la pela aparência de uma mínima concordância com o próximo, mesmo que com a pessoa mais indigna... No entanto, talvez sejam justamente nessas horas em que a solidão cresce, que cresce dentro de nós o sentido espiritual e estético da criatividade, o seu crescimento é doloroso como o crescimento de um menino a quem falta tudo. Mas isto não te deve confundir, o que é necessário é apenas o seguinte: solidão, uma grande solidão interior. Mas que provoque em ti mesma a descoberta de toda a potencialidade que habita em ti. Quando éramos crianças olhávamos para os adultos e parecia que eles andavam sempre atarefados com coisas importantes e grandiosas, afinal era apenas um mundo diferente e na maior parte das vezes estavam e estão ocupados com coisas bem desinteressantes e mesquinhas que lhes endurecia o coração e os desligava do sentido da vida. Pensa querida amiga, trazes dentro de ti a capacidade de descobrir e revelar o mundo que te rodeia na sua verdade, mas mais que isso naquilo que só se vê com olhos e inteligência, que só alguns conseguem ter. Tens ainda a capacidade de descobrir a combinação certa para palavras e frases como se elas fossem usadas pela primeira vez. Sei que se um acontecimento, pormenor ou caso é digno do teu amor ou atenção, tornas isso em arte, deves continuar assim, sem fazer muito esforço em relação ao convencimento dos outros, mas sim ao teu próprio deleite. Eu sei que te propus uma tarefa dura, e sei que terás momentos com vontade de desistir, posso apenas aconselhar-te que ponderes e continues, provavelmente o caminho será bem tortuoso, mas estarei a teu lado, serei sempre um amigo que te escutará e tentará acompanhar-te sempre na tua caminhada. Estamos a chegar ao Natal como já referi, um tempo sinal de contradição pela aparente irracionalidade de um Deus que se fez homem, faria parte da normalidade desejar-te um tempo feliz, porém eu digo: Descobre-te na tua totalidade, sê tu. E a felicidade nascerá a partir de ti.  

Com amizade  

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