sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

Algibeiras Furadas



Num fim de tarde eram vinte horas, João voltava à sua casa para jantar. O apetite que não levava, juntamente com a bebida que o fartava impediu-o de reparar num automóvel que estava parado à sua porta.
Entrou, subiu a escada, e ao chegar à porta ouve uma voz que grita estridentemente.
— Minha Senhora, sou a esposa do dono do café onde o seu marido costuma beber sem limite, e fugir sem pagar, por isso se não pagar o que deve, faço aqui uma escandaleira que toda gente fica a saber.
João à porta hesitou antes de entrar, cumprimentou-a polidamente com um simples:
– Boa noite.
Mas a mulher lançou-se sobre ele e com uma voz alterada, diz-lhe:
— Senhor, eu sou a esposa do dono do café, onde costuma ir beber até fartar e sair sem pagar.
 — Desculpe não a reconheci, sabe eu só vou ao café ao fim da tarde, já está meio escuro e eu não sou bom para rostos.
 — Não me reconhece! Não me reconhece! … quer juntar o gozo à caloteirice?
 — Minha senhora desculpe-me, não se trata disso, deixe-me explicar.
A senhora deu um passo para ele, ameaçadora.
— Deixe-me explicar? Deixe-me explicar? Que explicação tem sair do café sem pagar?
A esposa do João assistia atarantada àquela cena sem saber o que fazer.
— Ó homem afinal o que se passa? Que raio é que tu fizeste?
Mas o João, a quem o vinho tinha dado alguma eloquência sentiu-se com a situação controlada:
— Que raio é que eu fiz? Perguntas que raio é que eu fiz? É boa! Já te disse mais que uma vez, que isto ia acontecer, se o problema não fosse resolvido.
— Se o problema não fosse resolvido? De que é que tu estás a falar? Não me metas nas tuas sacanices que só me envergonham.
A dona do café que não compreendia nada do que se estava a passar, desabafou:
— Eu não quero saber da vossa vida, vim aqui para resolver a minha.
— Mas se o problema não for resolvido, eu não poderei nunca pagar a minha despesa. - Conclui o João.
A esposa do João vermelha de raiva e vergonha, e sem perceber as razões do marido:
— Ou dizes o que se passa ou vamos ter caso e grave.
O João mete as mãos às algibeiras das calças, puxa-as para fora e perante o espanto das duas mulheres, mostra:
 — É que eu tenho as algibeiras furadas, por isso perco todo o dinheiro que levo comigo, é essa a razão de nunca poder pagar.

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