quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

Pensar o Infinito


Cara amiga


Sugere-me o tempo que vivemos, fim de ano princípio de outro, que retome a comunicação epistolar iniciada pelo Natal. Toma estas palavras, apenas como a minha forma pessoal de reflectir sobre mim e a minha perspectiva sobre as coisas. 
Deste viver português tão incaracterístico, com conflitualidades adormecidas e ou reais embaraços e pessimismos, talvez seja bom proceder a uma depuração, para encontrar motivos que nos levem a superar esta onda que nos esmaga nos tolhe e impede de olhar mais além. 
Talvez seja bom, não procurar nos acontecimentos ditos importantes, que juntamente com pessoas ditas igualmente importantes, nos chegam a casa todos os dias e afinal sem novidades nem motivos de esperança. 
Agora que Novo ano iniciou, e com ele todo um conjunto de situações com grande impacto mediático, recomeçamos a ser alvo de um conjunto de falsos acontecimentos, cujo único objectivo parece ser distrair-nos do essencial do nosso viver comum, e mais ainda muitas vezes nos distrai da nossa busca pessoal de encontro do caminho próprio para a felicidade.
Por isso te desafio não te limites nem limites o teu olhar e o teu pensar, sempre que olhares lança um olhar mais além, fecha os olhos e vê com o pensamento.
Faz teu o lema “ Pensar o infinito”, mas o infinito é esse aberto que paradoxalmente começa e acaba dentro de nós, sem a nossa vontade de nos transcendemos e olhar mais além, de pensar para além dos nossos limites de vivermos o infinito que existe dentro de nós, seremos sempre vencidos pelo árido e incaracterístico ziguezague das estradas suburbanas, conduzidos para o futuro limitado que se adivinha das florestas de apartamentos colados a apartamentos. Cenários que poderão limitar a nossa vida e a nossa história pessoal, limitação que tu não mereces e que eu sei que és capaz de ultrapassar 
“Pensar o infinito”, implica transcender-se, ir ao âmago do mais pequeno, abraçar a totalidade do ser, sentir mais intensamente o todo universal, conscientes que isso implica, que cada um se deixe encontrar humildemente com os seus limites e totalmente com as suas possibilidades.
Neste tempo de baixas exigências, resultados rápidos e objectivos imediatos, como é o tempo em que vivemos, “Pensar o infinito”, pode constituir uma aposta na esperança, porque é uma aposta antes de tudo em ti própria e na capacidade que tu e cada um, de construir um tempo diferente. 
Sei porém que a esperança a verdadeira esperança pede-te e a todos nós coragem e empenhamento.

Com amizade

Um bom ano. 

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