quarta-feira, 20 de maio de 2015

Amizade


A reinvenção da alegria                                    

Neste tempo, em que não vos tenho dado a atenção devida, sentindo-me para todos os que me dão o seu tempo e a sua amizade em dívida lembrei-me de dois provérbios que definem a amizade de ângulos diferentes e complementares:                

Séneca diz num provérbio que: “Ter um amigo é ter alguém por quem morrer”
Há porém um provérbio inglês que diz: “Viver sem amigos é morrer sem testemunhas”                                       
A força que emana do primeiro provérbio (“Ter um amigo é ter alguém por quem morrer” ) é de uma amizade desprendida e inusual, mas diz-nos quanto este sentimento esta presente no espírito da humanidade e nas relações entre as pessoas, desde que o homem se tornou capaz de elaborar em palavras os seus sentimentos. A contradição principal é que sendo este um dos sentimentos mais nobres e mais necessários à nossa vida pessoal, quando confrontados com a pergunta: O que é a amizade? Sentimos alguma dificuldade em a definir, não porque nos faltem explicações exactas e verdadeiras, mas pela sua vastidão e pelas nossas próprias atitudes perante a amizade, ficamos incapazes de exprimirmos verbalmente em poucas palavras a relação e o sentimento implícito nesta palavra. A amizade tem a singularidade de ter uma ética não escrita, sem tutelas nem pactos sociais, e utiliza uma desconcertante simplicidade de meios, o que faz com que a característica mais importante da amizade, se defina pela sua presença.
Mas a presença pode ter diversas graduações, e quando a amizade se vai construindo em novos meios, como a NET que utilizamos neste momento, essas graduações terão ainda muitos cambiantes, uma partilha global de algum pessoal, ou não sendo pessoal, nos toca e emociona, uma troca de mensagens mais confidente e particular, um dos muitos pequenos gestos de que estamos atentos e que as mensagens que nos chegam não nos deixam indiferentes, a probabilidade de um encontro dos muitos que este meio proporciona, a possibilidade de uma ou de incontáveis atenções, não tendo muito significado a quantidade mas a verdade daquilo que damos e recebemos

Porém no provérbio inglês que diz: “Viver sem amigos é morrer sem testemunhas” , remete-nos para o tempo presente em que não querendo ser demasiado mórbido, mas ao ler um destes dias nos jornais, um título que dizia:“ HÁ cada vez mais corpos não reclamados”
Isto foi sentido por mim como um soco, e senti vergonha por fazer parte de uma sociedade que segrega e despreza ignobilmente parte dos seus. Que levou estas pessoas a cortarem laços e a perderem assim os seus amigos, ficando sem testemunhas do seu final de vida? Que levou a sociedade a ignora-los?
Talvez por isso seja importante esta rede de amigos em que participamos, e quando algum por motivos diversos nos deixa, não nos deixa sem testemunhas, sentimos que perdemos um pouco da nossa riqueza colectiva, e partilhamos muitas vezes testemunhos desse sentimento.
Os amigos que vou fazendo neste meio e com os quais vou partilhando, um pouco de mim e um pouco do que sou, e de quem também recebo partilhas que me vão enriquecendo, fazem-me sentir, talvez com alguma benevolência, que a minha ausência, mais frequente do eu desejaria, não lhes é indiferente.
O importante para mim é que a partir de dada altura, esta relação se tornou uma história que me acompanha e por onde uma parte da minha vida vai passando.
Tendo tão poucas barreiras, permitindo um tão alargado leque de alternativas, este meio que nos aproximou e vai permitindo a construção de verdadeiras amizades, pode contribuir para acabar com este cinzentísmo em que estamos mergulhados e pela AMIZADE REINVENTAR A ALEGRIA.

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