segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

H E R M Í N I O, como Montes Hermínios


Apresentou-se com nome falso em letras azuis e despediu-se rapidamente para ir a um funeral, com promessa de que voltaria para conversarmos. Regressou e encetou comigo uma amizade que duraria até ao dia de hoje, uma viagem de felicidades e atribulações, mas que a tudo sobrevive e sempre vence, tornando-se cada vez mais indestrutível. 
Identificou-se em todo o tempo como leal e continuamente se mostrou em gestos como alguém coerente e que estima sempre os seus amigos e os protege. Após a verdade do seu nome ser revelada fez uma analogia com os Montes Hermínios, aos quais os turistas procuram nos tempos de frio para se divertirem nas suas colinas cobertas de manto branco, mas que agora chamam de Serra da Estrela. E embora agindo sempre com coerência, há em si a força de ir além dos limites, rasgando os céus com os seus cumes, indo para além do que os outros foram; mas também a qualidade de descer ao fundo de si na profundidade dos vales, descansando nos sentimentos puros e suaves.
Por assim ser destaca-se em qualquer grupo a que pertença e as circunstância logo o conduzem a ser o seu mentor, de modo a que quando alheio aos compromissos lhes tenta fugir logo  lhe batem à porta a solicitar a sua presença nas discussões ordinárias. E mesmo modesto é importante e sabe-o, foge à norma, é desigual, e por ter consciência de toda a sua excentricidade tem a ousadia de possuir no nome uma letra que não se pronuncia, servindo de decoração, concedendo o toque finDianaal de diferença.
É este amigo que mora no distrito acima do meu que comigo representa os dóis sois do nosso universo, somos réis do tempo que é nosso e as palavras são os súbditos que antigos, fiéis e ilustres são toda a nossa amizade. E porque as palavras são verdadeiras, conforme a autenticidade dos autores, é a pessoa a quem a memória recorre sempre que algum acontecimento se evidencia no meu quotidiano. Posso refugiar-me na sua doçura e na sensatez dos seus pareceres. É a minha luz quando não consigo iluminar-me e o amigo mais disponível. É unidos que os nossos poderes são maiores e temos a intensidade necessária para escapar dos fossos escuros da vida.
Por isso, prevejo e desejo que a nossa amizade seja eterna e sempre incompleta para que cada um traga as suas novas vivências e reforce os laços invisíveis que nos unem. Que sejamos sempre a mão que vai à frente a guiar quem se perdeu para que fiquemos depois lado a lado a apreciar as maravilhas que ocorrem debaixo da nossa claridade.

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